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Sobre esta coisa das viagens de finalistas a Espanha só falto eu falar sobre o tema, com a eloquência que me é conhecida. Achei esta frase gira, a ver se consigo que vocês leiam o que escrevi, e quem sabe até, possam partilhar e comentar.

 

Primeiramente quero dizer ao dono do hotel que simpaticamente pôs álcool a escorrer das torneiras, para mil miúdos, sem vigilância, que foi uma sorte o hotel ainda estar de pé e não ter sido ele a ser recambiado para Portugal dentro de um colchão. Se repararem o Papa vem a Fátima, no que se espera ser um encontro pacato, e vão gastar-se milhões de euros em segurança. E em Fátima segundo as últimas notícias nem irá haver bar-aberto.

 

A segunda coisa que quero referir é que se fosse no meu tempo não passávamos da fronteira, nas rusgas da GNR aos autocarros à procura de haxixe. Não deixa de ser curioso que em Portugal se tente tirar as drogas aos miúdos, também para eles se portarem bem, e se chegue a Espanha e lhes deem mangueiradas de vodka.

 

É óbvio que qualquer um de nós nunca cometeu excessos em jovem. Eu por exemplo nas minha visitas de estudo acabava a noite a fazer um sarau de poesia, para me levantar fresquinho pois estava louco para ir visitar museus. Tudo isto enquanto os meu colegas iam beber uns copos, estar com raparigas, e ouvir música, tudo coisas do demónio.

Meus amigos, quem é que nunca alugou uma casa para fazer a passagem de ano e, de manhã, encontrou o bidé na cozinha a fazer de lava-loiça; um sofá junto à piscina; ou acordou numa zona de guerra, com uma desconhecida a falar estrangeiro vestida com o cortinado da sala? Eu não, claro, mas olhem que é mais comum do que se pensa.

 

Outra coisa, é a inocência do dono do hotel, que acreditou que se desse bar-aberto a mil putos, sem os ter bem vigiados, que às 10 da noite eles estariam na cama a ver o Panda, em vez de estarem a redecorar o hotel. A situação das televisões nas banheiras e as mangueiras desenroladas, tem muito a ver com um gosto pela decoração que tem crescido nos portugueses, desde que começou o Querido Mudei a Casa.

Já estou a imaginar o dono do hotel a dizer aos filhos quando vai passar o fim-de-semana fora, para levar os amigos lá para casa, que há vinho na prateleira, e que deixou o frigorífico cheio de cerveja, à espera que jovens cheios de testosterona e álcool se portem como acamados. Para mim isto tudo é como jogar à roleta russa com o tambor do revólver cheio de balas, e esperar que quando se apertar o gatilho, saia um dedinho a fazer cafuné.

 

No futebol há segurança; nos concertos também; em zonas de diversão idem, etc, por alguma razão, e estamos a falar de locais onde estão envolvidos adultos. Aliás no futebol nem se pode vender álcool, e não é por causa das crianças. Onde há álcool os cuidados devem ser redobrados. Já neste hotel dá-se álcool a crianças e é deixá-las em roda-livre. Certo!

 

E não, não estou a defender o que se passou, mas é preciso ver o quadro todo: se aquilo não fosse rentável para os hotéis espanhóis, acham que se mantinha há anos o convite para os alunos portugueses irem lá gastar uns milhões e partir aquilo? Apostam que para o ano este hotel recebe outros mil?

 

O hotel abarbatou-se com 40€ de cada miúdo e vai acionar o seguro, por causa de uns azulejos, uma televisão, alguns colchões, umas mangueiras esticadas, e uns extintores que ficaram vazios. Parece-me um belíssimo negócio: 40 mil euros e mais o seguro. O preço do colchão em Espanha está pela hora da morte. Os miúdos, alguns foram parvos, é certo, mas o dono de hotel de parvo não tem nada. Com uma migalha do valor tinha contratado segurança, os miúdos ainda lá estavam, e o hotel estava um brinco. Só não era tão rentável, não é?

 

Lembro-me perfeitamente da minha turma ser proibida de participar numa visita de estudo, por causa do barulho e de ter surripiado a venda de dormir a um dos professores. Imaginem descobrirem aos 17 anos que um professor dormia com um pano preto nos olhos? Isso é provocação. Tínhamos de fazer algo...

Fomos castigados, tal como estes miúdos serão apertados pelo que fizeram. Com isto irão crescer: uns tornar-se-ão Homens, outros delinquentes, e é assim desde sempre. Os jovens podem ter defeitos, mas oferecer-lhes álcool 24 horas por dia, para lhes sacar dinheiro, não os vai fazer perfeitos. Vão por mim.

 

Até eu que não era flor que se cheirasse em ambientes de folia acima do habitual, hoje não consigo trazer uns chinelos de um hotel e tenho vergonha de deixar o quarto desarrumado.

 

Por fim deixo a prova que estes miúdos ainda estão a crescer e de certeza que chegarão à altura de perceber que só no dia em que nos despedimos e já temos o cheque na mão é que dizemos tudo o que pensamos ao patrão.

 

E pronto, está feitinho.

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publicado às 15:22



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