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Justiça cega e zarolha

por Gajo, em 20.01.16

justiça-cega.jpg

"Dos 14 arguidos no primeiro processo da Operação Furacão a chegar a tribunal, apenas nove compareceram hoje na Instância Central de Lisboa" - parece-me um bom número. Com o trânsito que estava e o mau tempo, ainda deviam agradecer.

 

Esta primeira sessão servia para identificar os arguidos e para o coletivo de juízes, presidido por Pedro Lucas, ficar a saber se pretendem prestar declarações. No fundo se era só para isto, andar a incomodar as pessoas...

 

Quase parece gozo. Um desfalque de milhões, e, "o caro não se importa de prestar declarações"? Eu certamente estou a ver mal, mas os visados ou têm de prestar declarações, ou não.  Acompanhem o meu raciocínio. Damos uma palmada de milhões, toda a gente sabe, e se nos perguntarem se queremos ir a tribunal contar o esquema, é logo a primeira coisa que fazemos. "Claro que sim. Senhor juiz, dê-me só dois dias para encontrar documentos que confirmem que gamei uns milhões, para não ser só a minha palavra. Se não for aborrecido, levo também escutas e uns vídeos de quando combinamos o esquema, e onde estão todas as pessoas identificadas".

Admito que sou eu que acho que as pessoas por norma não confessam as coisas, por não serem fãs, por aí além, de irem bater com o costado na cadeia. Mas há taras, é um facto. 

No fundo, e como todos sabemos, isto não passam de artimanhas legais, especialmente feitas para os casos financeiros, que não mais são que para atrasar os processos, para acabarem como todos sabemos: na prescrição. 

 

Não deixa de ter a sua piada, os tribunais funcionarem como quando uma mulher, inocente, descobre que o marido anda enrolado com a porteira roliça do prédio, duas portas ao lado, mas ainda quer ouvir o canto da sereia:

 

(Ao telefone)

Mulher - Temos de falar. Sei que andas a dormir com a Floripes. 

Marido - Falar, só depois, agora não posso.

Mulher - Então quando é que podes?

Marido - Não sei, mas isso é mentira.

Mulher - Mentira? Ela veio entregar os teus boxers e diz que levaste o fio dental dela vestido.

Marido - Isso diz ela. Vesti o fio dental dela, mas não sei como veio parar entre as minhas pernas.

Mulher - Ah, então tabém, quando puderes passa cá para falarmos.

 

O principal arguido, fez a simpatia de dizer que "quer prestar declarações". Ou seja, apetece-lhe. Nada que entre um café e uma cigarrada não se troque umas ideias para calar o juiz. Mas que não seja nada muito chato.

 

Se o princípal arguído foi cortez, já o mesmo não se pode dizer de dois dos arguidos, que disseram que só vão prestar declarações "mais tarde". É à vontade do freguês. Ontem jogava o Benfica, estava a chover, e não estavam com disposição para ir falar do dinheiro com que se abotoaram indevidamente. Isto não é assim, onde o tribunal decide quando o alegado criminoso terá de se justificar perante a justiça.

 

Se vocês pensam que o circo fica por aqui, estão enganados: outros dois dos cavalheiros envolvidos, não compareceram, porque:


A) Rebentou-lhes o hemorroidal;

B) Foram divorciar-se da mulher e transferir os bens de nome;

C) Tinham pedicure;

D) Foram a uma aula de zumba;

E) Estavam numa peregrinação em Santiago de Compostela;

F) Não conseguiam parar de rir dos juízes.

 

Podia ser, mas não é a última hipótese. É sim, a E. Estavam numa peregrinação a Santiago de Compostela. Isto é enternecedor e é mesmo VERDADE!. Imagino a caixa das esmolas. Foram pedir perdão, e por isso não podiam estar em dois sítios ao mesmo tempo. E se foram perdoados de forma Superior, não é um tribunal terreno que os vai castigar. Faz algum sentido...

 

"O senhor Viana criou o grupo FINATLANTIC, em 1993, na Irlanda, através do qual montou um esquema de faturação fictícia para ser utilizado pelas empresas, a troco de uma comissão".

 

Ora 93, e entre o aparece e não aparece para prestar declarações, e com tanta peregrinação que anda para aí, não se macem muito, porque a prescrição é mais que certa. Vão ser meses até todos lhes apetecerem falar...depois de falarem, não vale como prova e assim sucessivamente...

 

Eu já não digo para levarem estas coisas a sério, mas pelo menos, façam com que pareça. Já não era mau…

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publicado às 02:20


1 comentário

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De Vitória a 20.01.2016 às 18:39

Excelente como sempre, esse diálogo está um must

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