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Nem com a Nossa Senhora vamos lá

por Gajo, em 24.11.15

cavaco.jpg

 

Devemos antes de tudo entender a razão de Cavaco Silva não ter indigitado António Costa. Ponham-se no lugar dele. Imaginem estar a mamar uma cataplana de marisco, regada com champagne, à borla, e de repente aparecer o António Costa, a Catarina Martins , e Jerónimo de Sousa para comer também… Pior, este trio querer tomar conta da cozinha para alimentar outras bocas. Qualquer um ficava chateado.

 

Depois, quantas vezes já não ouvimos que com a idade voltamos a ser crianças? É o que está a acontecer. Qual miúdo Cavaco diz uma coisa de manhã e o seu contrário à tarde. "Raramente se engana e nunca tem dúvidas", mas "depois dos cenários todos pensados", não sabe o que fazer. Para mim o Cavaco no 5 de Outubro quis ficar no quentinho. Calhou a uma segunda feira, e quem trabalha detesta uma segunda feira. Cavaco não foge à regra.

 

Lembrem-se de quando eram pequenos: tanto queríamos ser bombeiros como polícias, com todas a certezas do mundo, que mudavam dia sim dia não. Basicamente é como se tivéssemos uma flor de plástico como Presidente da República. Parece que é real mas no fundo não é. É só um enfeite que por ser de plástico se quer eternizar e que só se mexe para orientar o que lhe dá jeito.


Cavaco Silva indigitou Passos Coelho, e bem, por ser urgente estabilidade política devido à instabilidade dos mercados e dos credores, mas agora com António Costa, é preciso ter calma, "os cofres estão cheios", não há urgência, e os mercados e os credores que aguentem. Se perderem tempo a tentar perceber a cabeça de Cavaco, o mais certo é começarem a comer gelados com a testa, a meter a palha no nariz, e a fazer presépios sem o burro. Reparem na lógica. O governo de Passos, minoritário, que se sabia não conseguir passar o orçamento (? Nunca ninguém o conheceu) no parlamento, por não ter maioria, foi indigitado devido à necessidade de "estabilidade"; o de Costa, que Bloco e PC já garantiram viabilizar, não é indigitado, porque… Cavaco vê instabilidade. Isto parece confuso, mas a culpa não é da minha escrita. É mesmo o Aníbal que como tem a cabeça cheia de nós górdios, enrola-nos também.

 

No entanto com Cavaco é responder que sim a todas as perguntas, que ele papa. Passos Coelho e Ricardo Salgado disseram-lhe que o Natal era a 26 e que o BES "estava sólido e ele acreditou. A estabilidade financeira para Cavaco é o "BES sólido", e o BPN um restaurante self-service para os amigos se servirem, enquanto o povo vai bancando o festim dos cavaqueiros. Dito isto concordo com Cavaco. Para o PS garantir a estabilidade financeira do país, a primeira medida é correr com os amigos de Cavaco de todos os cargos públicos - apesar de já ser tarde.

 

Resumindo, para Cavaco, o Costa, o Jerónimo, e a Catarina Martins não são de confiança, já o Portas, um exemplo de homem e político, Passos, um homem de palavra e integro, e Ricardo Salgado, um banqueiro de excelência, são pessoas a ser levadas na maior consideração. É sempre assim, quando nos movemos no meio do lodo, quando andamos em solo firme, achamos sempre que é demasiado duro.

 

No fundo o que Cavaco quer são as garantias de estabilidade como as que Portas deu na questão da "irrevogabilidade" e que custou mais de 2000 milhões a Portugal. Nessa altura Cavaco estava de quatro e nunca exigiu nada além de manter o Portas custe o que custasse. Já Costa tem de apresentar garantias de um governo sólido; prometer o regresso da Vila Faia; o alcatroamento da estrada secundária para Sernancelhe; e que quando neva passe a ser possível ir ao topo da Serra da Estrela.

 

Constatamos por fim uma mudança nas crenças do Presidente da República. Se antigamente se agarrava à Nossa Senhora para ajudar nos resultados da governação de Passos Coelho, agora, e com António Costa, já quer garantias terrenas e no papel. Cavaco Silva também acha que, tal como ele, a Nossa Senhora não quer nada com a esquerda. Nunca imaginei que a Nossa Senhora fosse de direita: sempre pensei que estivesse ao centro. Mas como Cavaco tem o email e "face" da Nossa Senhora vou confiar nele. O reino dos céus tem uma bonita relação com Portugal: Jesus fala com a Alexandra Solnado e a Nossa Senhora com o Cavaco. Apesar de ser um orgulho para o país, a escolha das pessoas é assim para o coiso, a dar para o duvidoso…

 

Termino com o óbvio: como é que deixaram o Costa ir sozinho falar com o cavaco. António Costa que perdeu as eleições mais fáceis da história de democracia portuguesa, em nenhum dia convenceria o Cavaco que conseguia fazer um ovo cozido sem ajuda de um chef de prestígio, quanto mais que governava um país 4 anos...

 

21/07/2014 - "Cavaco diz que portugueses podem confiar no BES" TVI24

 

30/01/2015 - "Cavaco Silva diz que nunca falou sobre o BES". Visão



Não estranha que se dê tão bem com Passos Coelho, Paulo Portas, Dias Loureiro, e Ricardo Salgado, entre outros…

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publicado às 01:19

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"Grife australiana cria lingerie masculina para oferecer aos homens mais conforto e delicadeza". - não vou desenvolver esta frase apesar de existir muito para dizer sobre ela. Adiante...

 

A grande vantagem é que a partir de agora o marido/namorado/homem, pode começar a vestir a roupa da mulher sem isso parecer bizarro ou dar direito a internamento. Não que isto já não aconteça, mas com este sortido para homem, se virmos um urso pardo de fio dental já não estranhamos. Está na moda.

 

Certo que no Natal, para os mais antigos isto possa fazer confusão na altura da troca de prendas: Avô - "Ai neta não sei como consegues usar estas cuecas que nem se veem; no meu tempo estes elásticos nem davam para fazer uma fisga para ir ao pássaro"; Neta - "Não avô, essa lingerie de saia, ligas, e top é para o Renato, e a máquina de barbear é para eu fazer o buço".
Ainda assim, se a neta tiver uma namorada a atirar para o camionista, a situação poderá ser menos embaraçante.

 

Outra coisa é a igualdade que isto vem trazer. O homem pode passar a dizer também: "Paty, esta noite vamos fazer um programinha e dormir fora; comprei um conjuntinho giríssimo só para ti. Tem tule nas bordas".
É verdade que no caso de um casal com filhos, estes podem ficar confusos. Grita o miúdo da cozinha: "Mãe, deixaste o soutien na cadeira"; responde a mãe: "Kiko, se for o que tem renda é do teu pai". Admito que isto vai levar algum tempo a entranhar.

 

Depois tem outra chatice. Naquelas noites românticas onde antigamente era a mulher que fazia um striptease, despindo-se em frente ao parceiro, agora, além dela passa a ser ele também. E com o momento gracioso que normalmente o homem proporciona em qualquer tarefa sensual do género, já estou a imaginar o entusiasmo da parceira a ir por água abaixo na altura dele tirar as meias de vidro. Pelo menos acaba-se o problema irritante para as mulheres do homem fazer o amor de soquetes. Vou levantar o véu: além dos sôfregos que cegam quando veem um frango depenado à frente e nem se lembram do tecido nos cotos inferiores, uma franja relevante deixa as meias porque a unhas dos pés, em vez de unhas são garras de falcão cheias de cotão nos cantos. É uma dica. E alguns dos que lerem este pedaço de poesia, podem confirmar...

 

A lingerie masculina, para um segmento de homens é a oportunidade de uma vida de gozar o carnaval diariamente, na medida em que há foliões que levam um ano à espera de voltar a mascarar-se de Sheila.

 

Numa análise aos conjuntos, cada um tem as suas vantagens. O de rosa com a saia, aquilo funciona tipo postigo. Em caso de necessidade deve correr, dando origem a um agradável leque para dias quentes. Quanto ao de branco, aquele tecido arranha, e não me parece confortável. A forma de bolsa para acomodar o trombinhas é bem pensada, mas a transparência era evitável. O cor-de-rosa com motivos florais é compostinho e discreto. Os dois elásticos são ótimos para pendurar cebolas enquanto andamos a cozinhar. O último é mais arrojado. Os franzidos no homem dão o toque fofinho, que é cortado com as meias de futebol. Os lacinhos, sobre os lacinhos. Quer dizer, sobre os lacinhos não tenho nada a dizer assim de produtivo que não acabe numa luta de espadas.

 

Bom fim-de-semana.

 

PS - Eu tenho consciência que me devia tratar - na cabeça.

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publicado às 14:27

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Devolvam-nos o nosso primeiro-ministro. O homem despegado do poder; o homem "do que se lixem as eleições"; o homem que "iria assumir as suas responsabilidades, mesmo que fosse na oposição". Devolvam-nos este homem.

 

Se já estamos assustados com os perigosos radicais de esquerda que vêm aí, mais ficamos com este sósia de Passos Coelho que quer uma "revisão constitucional extraordinária para dissolver Assembleia", porque não gostou dos resultados eleitorais.

 

A ideia não é má: se os resultados de umas eleições (representação parlamentar) não forem simpáticos, muda-se a Constituição até ficarem mais prazerosos. Suspeito que a intenção desta ideia genial seja para que tenhamos para sempre o Pedro como primeiro ministro. Sugeria então, que em vez de se mudar a Constituição, repuséssemos a que estava em vigor em 1973. Poupava-se tempo e acho que cumpria os intentos da iniciativa. Esta ideia de mudar Constituição porque não nos dá jeito deixa um certo cheiro a bafio não deixa?

 

A parte boa disto é que se os resultados se repetissem, íamos fazendo eleições até o resultado "certo" se verificar, o que era bom, pois o Domingo é um dia chato, e ir votar é sempre um programa emocionante. A outra solução era ter só um partido em quem votar, evitando-se assim maçadas aos mercados, credores, agências financeiras, e à Coligação PaF.

 

O que ninguém me responde é que se a PaF ganhou, qual a razão para não governarem e quererem mudar a Constituição? A minha pena é que o sósia também tenha problemas a contar deputados, mas será natural; provavelmente também terá sido aluno da Maria Luís Casanova Albuquerque.

 

Temos de entender que esta pessoa que se está a passar pelo primeiro-ministro tomou como exemplo o original e entrou em roda livre. Ora se a Constituição diz que os cidadãos têm de pagar impostos, o outro não pagava; se a Constituição diz que os subsídios e os ordenados são sagrados, o outro cortava; é natural que este pense que a Constituição é um livro recreativo com falta de espaços para colorir.

 

No entanto, amanhã, e pegando nesta iniciativa, de manhã vou beber uma bica, depilar os joelhos, e fazer a minha própria Constituição. Como não tenho ambições políticas, vou deixar a Constituição tal qual está, mas irei pôr uma alínea a dizer que terei direito a um emprego vitalício. A linha de pensamento é a mesma. Se correr bem abro um negócio de Constituições: "Constituição por medida em 24 horas". Ou seja, uma Constituição tailor made para cada português. Depois, cada um fica com uma palavra pass e cada vez que queira mudar a sua Constituição, por exemplo. os resultados de umas eleições, basta fazer login e levar a cabo as alterações apropriadas. Já estou a imaginar os portugueses com um post-it da sua Constituição colado no PC. Sim, como se poderia mudar diariamente não valia a pena uma coisa muito formal e cara. Não dá jeito cola-se outra.

 

Agora imaginem-se a jogar à carta com este Passos Coelho. Dão as cartas, o Pedro vê o jogo e diz: "Alto! Quero outro jogo, não gosto destas cartas, nem um trunfo". Felizmente que não joga no euro-milhões, senão ainda hoje estaríamos no primeiro sorteio: tinham de ir sorteando as bolas até saírem os números em que apostou.

 

Admito que tenho pena deste executivo ir embora. Conseguem sempre tirar mais um "Coelho" da cartola. A sorte é que este Passos é um sósia do Passos, e como diz a Manuela Ferreira Leite: "não percamos tempo com isto". O PAN deveria intervir pois este Coelho não está bem.

 

PS - Já agora e que vão mexer na Constituição, metam o futebol às quatro; o grão de bico a 0.40€; e o preço da palha para os presépios da Maria indexado ao buraco do BPN.

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publicado às 17:34


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